sábado, 9 de junho de 2012


 Do século 15 em diante — quando “cristãos” e “pagãos” se encontraram

“A religião deve estar no coração, e não nos joelhos.” — D. W. Jerrold, teatrólogo inglês do século 19.

A ATIVIDADE missionária, um marco distintivo do cristianismo primitivo, harmonizava-se com a ordem de Jesus de ‘fazer discípulos de pessoas de todas as nações’ e de ser testemunhas dele “até à parte mais distante da terra”. — Mateus 28:19, 20; Atos 1:8.

No século 15, a cristandade empreendeu um programa global de conversão dos “pagãos”. Que tipo de religião praticavam estes “pagãos” até aquele tempo? E será que qualquer conversão subseqüente ao “cristianismo” tocou-lhes o coração, ou apenas os fez dobrar os joelhos em submissão formal?

Na África, existem calculadamente 700 grupos étnicos ao sul do Saara. Originalmente, cada um deles possuía sua própria religião tribal, embora as similaridades entre elas revelem uma origem comum. Na Austrália, nas Américas, e nas ilhas do Pacífico, podem-se encontrar dezenas de outras religiões indígenas.
A maioria delas crê num único deus supremo, e, ainda assim, politeisticamente, dão margem a amplo número de deidades menores — deuses da família, do clã, ou comunais. Um estudo da religião asteca alista mais de 60 nomes de deidades distintas e inter-relacionadas.

Na África e nas Américas, pessoas que adotam as mais “primitivas” religiões crêem numa figura sobrenatural conhecida como o Trapaceiro. Às vezes descrito como o criador cósmico, outras vezes como o rearranjador da criação, ele é sempre encarado como figura ardilosamente enganosa e cobiçosa, embora não necessariamente maliciosa. Os índios navajos norte-americanos afirmam que ele ordenou a morte; a tribo de oglala lacota ensina que ele é um anjo decaído que fez com que os primeiros humanos fossem banidos do paraíso por lhes prometer uma vida melhor em outra parte. Diz The Encyclopedia of Religion (Enciclopédia de Religião) que o Trapaceiro muitas vezes aparece em “histórias da criação”, atuando “em oposição a uma deidade-criador espiritual”.

Como reminiscências de Babilônia e do Egito, algumas religiões nativas ensinam uma trindade. O livro The Eskimos (Os Esquimós) afirma que o Espírito do Ar, o Espírito do Mar e o Espírito da Lua formam uma trindade que “em última análise, controlava praticamente tudo no meio ambiente esquimó”.

Humanos — “Espiritualmente Indestrutíveis”

Ronald M. Berndt, da Universidade da Austrália Ocidental, informa-nos que os aborígenes australianos crêem que o ciclo da vida “prossegue depois da morte, do físico para o inteiramente espiritual, retornando, no devido curso, à dimensão física”. Isto significa que “os seres humanos são espiritualmente indestrutíveis”.
Certas tribos africanas acreditam que, depois da morte, as pessoas comuns se tornam fantasmas, ao passo que as pessoas de destaque se tornam espíritos ancestrais, que devem ser honrados e rogados, como líderes invisíveis da comunidade. De acordo com os manus, da Melanésia, o fantasma dum homem ou dum parente próximo continua a supervisionar a sua família.

Alguns índios americanos acreditavam que o número de almas era limitado, necessitando que elas “reencarnassem alternadamente, primeiro num humano, e então quer num ser espiritual, quer num animal”. Explica The Encyclopedia of Religion: “A morte humana liberava uma alma para um animal ou um espírito, e vice-versa, ligando os humanos, os animais e os espíritos num ciclo de mútua dependência”.

Assim, os primeiros exploradores ficaram surpresos de verificar que os pais esquimós eram relapsos em disciplinar seus filhos, até mesmo se dirigindo a eles em termos tais como “mãe” ou “avô”. O autor Ernest S. Burch Jr. explica que isto se dava porque o filho tinha recebido o mesmo nome que o parente indicado pelo termo usado, e um pai esquimó naturalmente “evitava a idéia de castigar sua avó, mesmo que ela tivesse agora se mudado para o corpo de seu filho”.

O “além” era representado por algumas tribos indígenas norte-americanas como um campo de boa caça, para onde tanto os humanos como os animais iam, ao morrer. Ali, eles eram reunidos com os parentes queridos, mas também se viam confrontados com anteriores inimigos. Alguns índios arrancavam o escalpe de seus inimigos, depois de matá-los, pelo visto crendo que isto impedia que os inimigos entrassem no mundo espiritual.

Será que a crença predominante entre as religiões nativas, sobre alguma forma de vida após a morte, prova que a cristandade está certa ao ensinar que os humanos possuem alma imortal? De forma alguma. No Éden, onde a religião verdadeira teve seu início, Deus nada disse a respeito da vida após a morte; ele apresentou a perspectiva de vida eterna em contraste com a morte. A idéia de que a morte é uma porta de acesso para uma vida melhor foi fomentada por Satanás e foi, mais tarde, ensinada na Babilônia.

Necessidades Humanas ou Interesses Divinos?

A ênfase das religiões nativas tende a ser na segurança pessoal, ou no bem-estar comunal. Assim, Ronald Berndt escreve sobre a religião dos primitivos aborígenes australianos: “[Ela] refletia as variáveis preocupações das pessoas na vida cotidiana. Focalizava-se nas relações sociais, nas crises da existência humana, e nas questões práticas de sobrevivência.”

Feitas para lidar apenas com tais necessidades humanas são as formas de adoração conhecidas como animismo, fetichismo, e xamanismo, existentes em várias sociedades, em diversas combinações, e em diferentes graus de intensidade.

O animismo atribui uma vida consciente e um espírito residente aos objetos materiais, tais como plantas e pedras, e até mesmo aos fenômenos naturais, como trovoadas e terremotos. Pode também incluir a idéia de que existem espíritos desencarnados que exercem uma influência, quer benigna, quer maligna, sobre os vivos.

Fetichismo provém duma palavra portuguesa às vezes usada para descrever objetos que se julga possuírem poderes sobrenaturais, e que oferecem a seus donos proteção ou ajuda. Assim, os exploradores portugueses utilizavam o termo para designar os talismãs e os amuletos que eles acharam os africanos ocidentais usando em sua religião. O fetichismo, estando intimamente relacionado com a idolatria, assume muitas formas. Alguns índios americanos, por exemplo, atribuíam poderes sobrenaturais às penas, considerando-as veículos eficazes para fazer “voar” orações ou mensagens em direção ao céu.

O xamanismo, de um termo tunguso-manchu que significa “aquele que sabe”, centraliza-se no xamã, uma pessoa supostamente capaz de curar e de comunicar-se com o domínio espiritual. O pajé, curandeiro, feiticeiro — seja lá qual for a palavra que queira usar — afirma garantir a saúde ou restaurar poderes procriativos. O tratamento talvez exija, como o faz no caso de algumas tribos das florestas sul-americanas, que fure os lábios, o septo nasal, ou os lóbulos das orelhas, que pinte o corpo, ou que use certos adornos. Ou talvez lhe mandem usar estimulantes e narcóticos, tais como o fumo e folhas de coca.

Sendo fracas em doutrinas, as religiões nativas não conseguem transmitir conhecimento exato sobre o Criador. E, por elevarem as necessidades humanas acima dos interesses divinos, elas privam a Ele do que lhe é devido. Assim, à medida que a cristandade começava sua obra missionária moderna, a pergunta que surgiu foi: Será que os “cristãos” poderão atrair os corações “pagãos” para mais perto de Deus?

No século 15, a Espanha e Portugal iniciaram um programa de exploração e de expansão colonial. À medida que tais potências católicas descobriam novas terras, a igreja passou a converter os habitantes nativos delas, condicionando-os a aceitar seu novo governo “cristão”. As bulas papais concediam a Portugal direitos missionários na África e na Ásia. Daí, com o descobrimento da América, o Papa Alexandre VI traçou uma linha imaginária no meio do Atlântico, dando à Espanha direitos a oeste, e a Portugal a leste.

No ínterim, os protestantes estavam muito ocupados, garantindo sua própria posição contra o catolicismo, para pensar em converter outros, nem tinham os reformadores protestantes instado com eles para que fizessem isso. Lutero e Melanchthon criam, pelo visto, que o fim do mundo estava tão próximo que era tarde demais para alcançar os “pagãos”.

No século 17, contudo, um movimento protestante chamado pietismo começou a desenvolver-se. Sendo um produto da Reforma, destacava a experiência religiosa pessoal acima do formalismo e sublinhava a leitura da Bíblia e o compromisso religioso. Sua “visão duma humanidade necessitada do evangelho de Cristo”, como certo escritor o descreveu, por fim ajudou a alçar o protestantismo a bordo do “navio” da atividade missionária em fins do século 18.

De cerca de um quinto da população do mundo, em 1500, a proporção de professos cristãos tinha aumentado para cerca de um quarto, por volta de 1800, e para cerca de uma pessoa em cada três, em 1900. Um terço do mundo era então considerado “cristão”!

Fizeram Realmente Discípulos Cristãos?

Vestígios da verdade, encontrados nas religiões nativas, são ofuscados pelos muitos elementos de falsidade babilônica, mas isto se dá igualmente com o cristianismo apostatado. Assim, esta herança religiosa comum fez com que fosse muito fácil os “pagãos” se tornarem “cristãos”. O livro The Mythology of All Races (A Mitologia de Todas as Raças) afirma: “Nenhuma região da América parece ter fornecido tantas, ou tão notáveis analogias, ao ritual e ao simbolismo cristãos como fez a dos maias.” A veneração da cruz e outras similaridades de ritual “promoveram a mudança de religião, com um mínimo de fricção”.

Os africanos — por cerca de 450 anos regularmente seqüestrados pelos “cristãos” e trazidos para o Novo Mundo, para servirem de escravos — também puderam mudar de religião “com um mínimo de fricção”. Visto que os “cristãos” veneravam os falecidos “santos” europeus, que objeção se poderia mencionar contra a adoração dos espíritos dos ancestrais africanos por parte dos “cristãos pagãos”? Assim, The Encyclopedia of Religion comenta: “O vodu . . . , uma religião sincretista ajuntada das religiões da África Ocidental, da feitiçaria, da religião cristã, e do folclore . . . , tem-se tornado a real religião de muitos no Haiti, inclusive daqueles que são católicos nominais”.

O Concise Dictionary of the Christian World Mission (Dicionário Conciso da Missão Cristã Mundial) admite que a conversão da América Latina e das Filipinas foi muito superficial, acrescentando que “o Cristianismo destas regiões, hoje em dia, é crivado de superstição e de ignorância”. Para os astecas, os maias e os incas, “a ‘conversão’ simplesmente significava a adição de mais uma deidade ao seu panteão”.
A respeito dos povos akan de Gana e da Côte d’Ivoire, Michelle Gilbert, do Museu Peabody de História Natural, diz: “A religião tradicional prossegue porque, para a maioria das pessoas, ela é entendida como o mais eficaz sistema de crença, um sistema que continua a dotar o mundo de significado.”

M. F. C. Bourdillon, da Universidade de Zimbábue, fala da “mobilidade religiosa” entre os membros da religião chona, explicando: “As várias formas de Cristianismo, junto com os vários cultos tradicionais, provêem todos um conjunto de respostas religiosas dentre as quais um indivíduo pode escolher, dependendo das necessidades dele ou dela naquele momento.”

Mas, se os “cristãos pagãos” se caracterizam pela superficialidade, ignorância, superstição e politeísmo; se julgam as religiões tradicionais como mais eficazes do que o cristianismo; se consideram a religião apenas uma questão de conveniência ou de oportunismo, permitindo que mudem de uma para outra conforme as circunstâncias determinem, diria o leitor que a cristandade fez verdadeiros discípulos cristãos?

Se não São Discípulos, O Que São?

Na verdade, os missionários da cristandade estabeleceram centenas de escolas para educar os analfabetos. Construíram hospitais para curar os doentes. E, até certo ponto, promoveram o respeito pela Bíblia e seus princípios.

Mas, será que os “pagãos” foram nutridos com alimento espiritual sólido da Palavra de Deus, ou apenas com as migalhas do cristianismo apóstata? Foram rejeitadas as crenças e as práticas “pagãs”, ou apenas envoltas em trajes “cristãos”? Em suma, têm os missionários da cristandade ganhado corações para Deus ou apenas obrigado os joelhos “pagãos” a dobrar-se diante de altares “cristãos”?

Uma pessoa que se converteu ao cristianismo apóstata acrescenta a seus anteriores pecados de ignorância os novos pecados do cristianismo hipócrita, desta forma duplicando sua carga de culpa. Assim, para a cristandade, são apropriadas as palavras de Jesus: “Vós percorreis de uma parte para outra o mar e a terra, para fazerdes um único converso, e, então, vós o tornais duas vezes mais propício para a destruição do que vós mesmos.” — Mateus 23:15, Phillips.

A cristandade tem claramente falhado em enfrentar o desafio de fazer discípulos cristãos. Tem ela agido melhor ao enfrentar o desafio da mudança mundial? Em nossa próxima edição, o artigo “A Cristandade Tenta Sobrepor-se às Mudanças Mundiais” responderá essa pergunta.




 Do século 17 ao 19 — a cristandade tenta sobrepor-se às mudanças mundiais

“A Filosofia e a religião são irreconciliáveis.” — Georg Herwegh, poeta alemão do século 19.

“FILOSOFIA”, palavra derivada de radicais gregos que significam “amor da sabedoria”, é difícil de definir. Ao passo que duvida que se possa dar “uma definição universal e totalmente abrangente”, The New Encyclopædia Britannica (Nova Enciclopédia Britânica) propõe que “uma primeira tentativa nesta direção poderia ser definir filosofia, quer como ‘uma reflexão sobre as variedades da experiência humana’, quer como ‘a consideração racional, metódica e sistemática daqueles tópicos que são de máximo interesse para o homem’”.

Tais definições mostram claramente por que a religião verdadeira e a filosofia são irreconciliáveis. A religião verdadeira baseia-se na revelação divina, e não nas “variedades da experiência humana”. Em primeiro lugar e antes de mais nada, gira em torno dos interesses do Criador, e não em torno dos “tópicos que são de máximo interesse para o homem”. A religião falsa, por outro lado, como a filosofia, baseia-se na experiência humana, e coloca os interesses humanos acima de tudo. Este fato tornou-se especialmente evidente do século 17 em diante, à medida que a cristandade tentava sobrepor-se às mudanças mundiais.

Uma Ameaça Tripla

Logo que a ciência moderna nasceu, no século 17, parecia inevitável um choque entre ela e a religião. Espetaculares avanços científicos envolveram a ciência numa auréola de infalibilidade e de autoritarismo, produzindo o cientismo, uma religião em si, uma vaca sagrada. A luz dos “fatos” científicos, as afirmações religiosas pareciam precariamente destituídas de provas. A ciência era algo novo e excitante; a religião parecia antiquada e insípida.

Esta atitude para com a religião foi intensificada pelo Iluminismo, um movimento intelectual que varreu a Europa nos séculos 17 e 18. Destacando o progresso intelectual e material, rejeitava tanto a autoridade como a tradição política e religiosa em favor do raciocínio crítico. Este, supostamente, era a fonte do conhecimento e da felicidade. “Suas raízes ancestrais”, afirma The New Encyclopædia Britannica, encontravam-se “na filosofia grega”.

O Iluminismo era mormente um fenômeno francês. Líderes destacados da França incluíam Voltaire e Denis Diderot. Na Grã-Bretanha, encontrou porta-vozes em John Locke e em David Hume. Seus defensores também podiam ser encontrados entre os pais da pátria dos EUA, inclusive Thomas Paine, Benjamim Franklin e Thomas Jefferson. Com efeito, a separação de Igreja e Estado, exigida pela Constituição dos EUA, é um reflexo das idéias do Iluminismo. Membros notáveis na Alemanha eram Christian Wolff, Emanuel Kant e Moisés Mendelssohn, avô do compositor Félix Mendelssohn.

Diz-se que Kant, suspeitoso da religião, definiu “Iluminismo” como “a liberação, do ser humano, da tutela auto-imposta”. Com isto, explica Allen W. Wood, da Universidade de Cornell, Kant queria dizer “o processo pelo qual os indivíduos humanos ganham a coragem de pensar por si mesmos sobre a moral, a religião, e a política, em vez de suas opiniões lhes serem ditadas pelas autoridades políticas, eclesiásticas ou bíblicas”.

Na segunda metade do século 18, iniciou-se a Revolução Industrial, primeiro na Grã-Bretanha. A ênfase passou da agricultura para a produção e fabricação de bens, com o auxílio de máquinas e de processos químicos. Isto transtornou uma sociedade principalmente agrícola e rural, fazendo com que milhares de pessoas se apinhassem nas cidades, em busca de trabalho. O resultado foram os bolsões de desemprego, escassez de moradias, pobreza e vários males relacionados com o trabalho.

Conseguiria a cristandade enfrentar esta ameaça tripla da ciência, do Iluminismo e da indústria?

Removendo Deus, Ainda que Bem Brandamente

As pessoas persuadidas pelo modo de pensar do Iluminismo culpavam a religião por muitos dos males da sociedade. A idéia de que “a sociedade deveria ser construída de acordo com modelos pré-fabricados da lei divina e natural”, afirma The Encyclopedia of Religion (Enciclopédia de Religião), “foi substituída pela noção de que a sociedade era, ou poderia ser, construída pelo próprio ‘engenho’ ou ‘imaginação’ do homem. Um humanismo secular e social veio assim a existir, o qual, por sua vez, geraria a maioria das teorias filosóficas e sociológicas do mundo moderno”.

Estas teorias incluíam a “religião civil” advogada pelo influente filósofo francês do Iluminismo, Jean-Jacques Rousseau. Centrava-se na sociedade e no envolvimento humano nos interesses dela, em vez de num Ser divino e na sua adoração. O memorialista francês Claude-Henri de Rouvroy advogava um “Novo Cristianismo”, ao passo que seu protegido Augusto Comte falava de uma “religião da humanidade”.

Em fins do século 19, desenvolveu-se entre os protestantes o movimento americano conhecido como evangelho social; estava intimamente relacionado com as teorias européias. Essa idéia, com embasamento teológico, asseverava que o principal dever dum cristão é o envolvimento social. Encontra grande apoio entre os protestantes, até os dias de hoje. As versões católicas podem ser encontradas nos padres-operários, da França, e entre os clérigos da América Latina que ensinam a teologia da libertação.

Os missionários da cristandade também refletem tal tendência, como uma notícia publicada na revista Time, de 1982, indica: “Entre os protestantes, houve uma mudança no sentido de maior envolvimento nos problemas básicos, sociais e econômicos, do povo. . . Para um crescente número de missionários católicos, a identificação com a causa dos pobres significa advogar mudanças radicais nos sistemas políticos e econômicos mesmo que tais mudanças estejam sendo promovidas por movimentos revolucionários marxistas. . . . Deveras, há missionários que crêem que a conversão é fundamentalmente irrelevante à sua verdadeira tarefa.” Tais missionários evidentemente concordam com o sociólogo francês Émile Durkheim, que certa vez sugeriu: ‘O real objeto da adoração religiosa é a sociedade, e não Deus.’

Obviamente, a cristandade estava removendo Deus da religião, ainda que brandamente. No ínterim, outras forças também operavam.

Substituir Deus por Pseudo-religiões

As igrejas não tinham soluções para os problemas criados pela Revolução Industrial. Mas as pseudo-religiões, produtos de filosofias humanas, afirmavam que tinham, e rapidamente passaram a preencher o vácuo existente.

À guisa de exemplo, algumas pessoas acharam que seu objetivo na vida era a busca de riquezas e de bens, uma tendência egotista promovida pela Revolução Industrial. O materialismo tornou-se uma religião. O Deus Todo-poderoso foi substituído pelo ‘Todo-poderoso Dólar’. Numa peça de George Bernard Shaw, um personagem faz alusão a isso, exclamando: “Sou milionário. É a minha religião.”

Outras pessoas se voltaram para os movimentos políticos. O filósofo socialista Friedrich Engels, colaborador de Karl Marx, profetizou que o socialismo substituiria com o tempo a religião, assumindo ele próprio atributos religiosos. Assim, à medida que o socialismo ganhava terreno por toda a Europa, afirma o aposentado Professor Robert Nisbet, “um elemento destacado era a apostasia dos socialistas, quer do judaísmo quer do cristianismo, e recorrem a um substituto”.

O fracasso da cristandade em enfrentar as mudanças mundiais permitiu o desenvolvimento de forças às quais a World Christian Encyclopedia (Enciclopédia Mundial Cristã) refere-se como “secularismo, materialismo científico, comunismo ateu, nacionalismo, nazismo, fascismo, maoísmo, humanismo liberal e inúmeras pseudo-religiões construídas ou fabricadas”.

Em vista dos frutos produzidos por tais pseudo-religiões filosóficas, pareceriam muitíssimo apropriadas as palavras do poeta britânico John Milton: “Tudo isso é sabedoria vã, e falsa filosofia.”

Procurando Uma Solução Conciliatória

Colhidas entre ineficazes sistemas eclesiásticos, de um lado, e enganosas pseudo-religiões do outro, milhões de pessoas procuravam algo melhor. Alguns acharam que o tinham encontrado numa forma de deísmo, também conhecida como “religião natural”. Granjeando destaque especialmente na Inglaterra, no século 17, o deísmo tem sido descrito como solução conciliatória que abraçava a ciência sem abandonar a Deus. Os deístas eram, por conseguinte, livres-pensadores que seguiam um proceder intermediário.

O autor Wood esclarece: “Em seu significado principal, o deísmo significa a crença num único Deus e numa prática religiosa fundada unicamente na razão natural, em vez de na revelação sobrenatural.” Mas, por descartar a “revelação sobrenatural”, alguns deístas foram ao ponto de rejeitar quase que totalmente a Bíblia. Nos dias atuais, o termo raramente é usado, embora cristãos professos que rejeitam a autoridade eclesiástica ou bíblica em favor da opinião pessoal, ou de filosofias alternativas de vida, estejam, em realidade, aderindo a seus princípios.

Teorias Paralelas da Evolução

O confronto mais dramático entre a religião e a ciência ocorreu depois da publicação, em 1859, de A Origem das Espécies, de Darwin, em que ele propôs sua teoria da evolução. Os líderes religiosos, especialmente na Inglaterra e nos Estados Unidos, de início condenaram tal teoria em termos fortes. Mas a oposição logo se desvaneceu. Já na época da morte de Darwin, afirma The Encyclopedia of Religion, “a maioria dos clérigos refletivos e expressivos tinham chegado à conclusão de que a evolução era inteiramente compatível com o entendimento esclarecido da escritura”.

Isto talvez explique por que o Vaticano jamais colocou os livros de Darwin em seu Índice Expurgatório [de Livros Proibidos]. Talvez também explique a reação da assistência na conferência de Chicago, EUA, de 1893, do Parlamento das Religiões do Mundo. Enquanto os budistas e os hinduístas ouviam, um orador “cristão” disse: “A teoria da evolução preenche uma lacuna do próprio início de nossa religião, e, se a ciência está satisfeita de modo geral com sua teoria da evolução como o método de criação, concordância é uma palavra fria com a qual aqueles, cujo negócio é conhecer e amar os caminhos de Deus, devem acolhê-la.” Tal declaração foi, alegadamente, muito aplaudida.

Não é surpreendente tal atitude, em vista da popularidade gozada em fins do século 19, daquilo que se tornou conhecido como religião comparativa. Tratava-se dum estudo científico das religiões do mundo, visando determinar como diferentes religiões se inter-relacionam e como elas vieram a existir. O antropólogo inglês John Lubbock, por exemplo, expressou a teoria de que os humanos começaram como ateus e então, progressivamente, evoluíram através do fetichismo, a adoração da natureza, e o xamanismo, antes de chegarem ao monoteísmo.

No entanto, como explica The Encyclopedia of Religion: “A religião, em tal conceito, não era uma verdade absoluta, revelada pela deidade, mas o registro de concepções humanas em desenvolvimento a respeito de Deus e da moral.” Assim, aqueles que aceitavam tal teoria não tinham dificuldade alguma de aceitar o deísmo, uma “religião civil” ou uma “religião de humanismo” como degraus que conduziam ao alto, na escada da evolução religiosa.

Em última análise, ao que tal conceito os leva? Já no século 19, o filósofo inglês Herbert Spencer disse que a sociedade entrava num arcabouço de progresso não mais compatível com a religião. E, a respeito do século 20, o Professor Nisbet comentou que os sociólogos em geral crêem que a religião “satisfaz certas necessidades psicossociais dos seres humanos, e até, ou a menos que, tais necessidades sejam eliminadas pela evolução biológica da espécie humana, a religião, de uma forma ou de outra, continuará sendo uma realidade persistente da cultura humana”.  Assim sendo, os sociólogos não estão descartando a possibilidade de que o “progresso evolucionário” passa, algum dia, resultar em nenhuma religião!

Intensificada a Busca da Religião Verdadeira

Já em meados do século 19, tornou-se óbvio que, por cerca de 200 anos, a cristandade estivera travando uma batalha perdida contra as mudanças mundiais. A sua religião tinha-se degenerado em pouco mais do que uma filosofia mundanal. Milhões de pessoas honestas estavam preocupadas. A busca da religião verdadeira se intensificou. Poder-se-ia dizer, verdadeiramente, que era impossível reformar a cristandade. O que se precisava era da restauração da adoração verdadeira. Informe-se mais sobre isso em nossa edição de 22 de outubro.


As especulações jamais provadas de Darwin, em A Origem da Espécies, tornaram-se o pretexto para que muitos abandonassem a crença no Deus da revelação.

Pressionada Pelas Mudanças Mundiais, a Cristandade Transige

  O APARECIMENTO DA CIÊNCIA MODERNA enfraqueceu a fé no invisível e gerou dúvidas sobre as coisas que a ciência não conseguia “provar”. A cristandade transigiu quanto à verdade bíblica por adotar teorias supostamente científicas, não comprovadas, como a evolução, e por encarar o conhecimento científico, em vez de o Reino de Deus, como a panacéia para os problemas mundiais.

  O DESPONTAR DE IDEOLOGIAS POLÍTICAS (capitalismo, democracia, socialismo, Comunismo, e assim por diante) gerou conflitos nacionalistas e embates ideológicos, obscurecendo assim a verdade bíblica de que Deus, e não o homem, é o legítimo Governante da Terra. A cristandade transigia quanto aos princípios bíblicos, por violar a neutralidade cristã e ficar envolvida em guerras que lançaram os membros da mesma religião uns contra os outros. A cristandade, de modo ativo ou passivo, apoiou as pseudo-religiões políticas.

  O PADRÃO MAIS ALTO DE VIDA, tornado possível mediante as Revoluções Industrial e Científica, promoveu o egotista interesse próprio e trouxe a lume a injustiça e a desigualdade sociais. A cristandade transigiu nisto, por negligenciar os interesses divinos em favor de envolver-se nos interesses humanos de natureza social, econômica, ecológica ou política.


Progride ou Regride?

  A Bíblia diz: Os humanos foram criados perfeitos e lhes foi ensinado como adorar o Criador de forma aceitável; mas eles se rebelaram contra Deus, e, por cerca de 6.000 anos, têm degenerado, tanto física como moralmente, afastando-a cada vez mais da religião verdadeira que originalmente praticaram.

  A evolução biológica e religiosa diz: Os humanos evoluíram a partir de um começo primitivo e eram ateus, sem ter qualquer religião; por indizíveis milhões de anos, eles melhoraram tanto física como moralmente, chegando cada vez mais perto dum estado utópico desenvolvimento religioso, social e moral.

  Com base no que o leitor sabe sobre o comportamento humano, sobre a condição da humanidade, e sobre a condição da religião no mundo atual, qual destes conceitos lhe parece mais coerente com os fatos?




Parte 20: Do século 19 em diante — uma iminente restauração!

“O melhor modo de veres a luz divina é apagar a tua própria vela.” — Thomas Fuller, médico e escritor inglês (1654-1734).

O SÉCULO 19 tem sido chamado de um dos mais vigorosos períodos da história cristã, emparelhando-se com os primeiros séculos e com os anos da Reforma. São muitos e variados os motivos para tal aumento na conscientização e na atividade religiosas.

O autor Kenneth S. Latourette alista 13 fatores relevantes, alguns dos quais foram considerados em números anteriores desta revista. Ele afirma que “nunca antes, em tão breve período de tempo, a sociedade humana foi modificada tão profundamente e de formas tão variadas”.

Nos Estados Unidos, o reavivamento religioso era claramente visível. Por exemplo, o rol de membros das igrejas aumentou de menos de 10 por cento da população, no início do século, para quase 40 por cento no fim dele. As escolas dominicais — introduzidas na Inglaterra, em 1780 — aumentaram em popularidade. Uma razão disto era que, em contraste com a Europa, a separação de igreja e Estado nos Estados Unidos impedia a instrução religiosa nas escolas públicas. Além disso, foi fundado um grande número de faculdades denominacionais e sociedades bíblicas interdenominacionais, e na primeira metade daquele século, pelo menos 25 seminários teológicos foram criados nos Estados Unidos.

No ínterim, em escala global, o protestantismo tornava-se inclinado para a obra missionária. O fabricante de sapatos e instrutor britânico William Carey tinha assumido a liderança, em 1792, por publicar o livro An Enquiry Into the Obligations of Christians to Use Means for the Conversion of the Heathens (Exame das Obrigações dos Cristãos de Usar os Meios Para Converter os Pagãos). Enquanto serviam na Índia como missionários, Carey e seus associados traduziram a Bíblia inteiramente, ou em parte, em mais de 40 línguas e dialetos indianos e asiáticos. A obra que alguns desses primeiros missionários fizeram em distribuir Bíblias é elogiável.

A relativamente nova ciência da arqueologia bíblica também granjeou posição de destaque, no século passado. Em 1799, soldados franceses no Egito descobriram uma placa de basalto negro que agora é chamada de pedra de Roseta. Continha a mesma inscrição escrita três vezes, duas vezes em formas diferentes de hieróglifos egípcios e uma em grego. Assim, provou-se inestimável para se decifrar os hieróglifos egípcios. Pouco tempo depois, também foram decodificados alguns escritos cuneiformes assírios. Assim, quando começaram as escavações na Assíria e no Egito, pouco depois disso, os artefatos obtidos nas escavações assumiram novo significado. Muitos relatos da Bíblia foram confirmados, nos mínimos detalhes.

Acendendo Suas Próprias Velas

À medida que crescia o interesse na religião, também crescia o número dos pretensos reformadores. No entanto, era óbvio que nem todos eram sinceros. Kenneth S. Latourette, o supracitado autor, admite candidamente que algumas das novas denominações religiosas “nasceram da inveja, das contendas, e das ambições pessoais”. Dificilmente seria de esperar, porém, que os reformadores, acendendo as velas da ambição pessoal, fossem os escolhidos por Deus para restaurar a adoração verdadeira.

No meio deste confuso bruxuleio de velas individuais, o modo de pensar teológico foi lançado em confusão. A alta crítica, mormente um produto das universidades alemãs, reinterpretou as Escrituras à luz do pensamento científico “avançado”. Os altos críticos consideravam a Bíblia como pouco mais do que um registro da experiência religiosa judaica. Questionou-se a autoridade da Bíblia, como essencial na determinação do meio de salvação, assim como a sabedoria dos padrões morais que ela defende.

A alta crítica obteve pronto apoio, especialmente entre os clérigos protestantes. Segundo certo relato, já em 1897, não havia um membro sequer do corpo docente das 20 universidades teológicas protestantes na Alemanha que ainda nutria os conceitos tradicionais sobre o escritor do Pentateuco ou do livro de Isaías.
Passados alguns anos, em 1902, surgiu uma controvérsia sobre a alta crítica numa conferência das Assembléias Gerais das Igrejas Presbiterianas na Escócia. Noticiava o Edinburgh Evening News: “De acordo com os altos críticos, . . . a Bíblia é uma coletânea de histórias míticas, das quais um pregador pode extrair alguns grãos de ensino ético, assim como um moralista perito pode extrair alguns grãos de ensino ético das ‘Fábulas de Esopo’.” No entanto, o jornal então comentava: “As classes operárias não são tolas. Elas não comparecerão à igreja para ouvir homens que vivem, eles mesmos, numa confusão mental.”

Um segundo artigo, publicado alguns dias depois, era ainda mais direto, comentando: “Não adianta fazer rodeios. A igreja protestante é uma hipocrisia organizada, e seus líderes são rematados farsantes. Ela realmente chegou a tal ponto que, se o autor de ‘A Idade da Razão’ fosse vivo hoje, ele não seria mencionado zombeteiramente como Tom Paine, o infiel, mas como o Rev. Thomas Paine, D.D. [Doutor em Teologia], Professor de Hebraico e de Exegese do Antigo Testamento, da Faculdade U[nida] L[ivre], de Glasgow. Ele não teria dificuldade alguma em pregar dum púlpito protestante . . . [e]  receber um polpudo salário como professor de teologia.”

Um Repique Religioso

Desde o início, o protestantismo sublinhava a conversão pessoal e a experiência cristã, confiava principalmente na Escritura, e menosprezava os sacramentos e a tradição.

Na década de 1830 e de 1840, muitos evangélicos protestantes começaram a proclamar a iminente segunda vinda de Cristo e, junto com ela, o início do Milênio. William Miller, um lavrador de Nova Iorque, sugeriu que a segunda vinda talvez ocorresse por volta de 1843. Este movimento milenarista ajudou a lançar a base para uma forma mais destacada e agressiva de evangelicismo, que se tornou conhecida como fundamentalismo.

O fundamentalismo era, notadamente, um repique contra o ceticismo, o livre pensamento, o racionalismo e a lassidão moral que o protestantismo liberalizado tinha nutrido. Mais tarde, adotou seu nome de uma série de 12 obras intitulada The Fundamentals (Os Fundamentos), editada de 1909 a 1912 pelo instituto Bíblico Moody.

O fundamentalismo, especialmente nos Estados Unidos, tornou-se bem-conhecido através de seus eficazes ministérios pelo rádio e pela TV, seus institutos bíblicos, e suas reuniões de reavivamento emocionais, amplamente divulgadas. Recentemente, contudo, sua reputação sofreu devido à falta de decoro em questões financeiras e sexuais de alguns de seus líderes mais destacados. Tem sido também criticado por sua crescente atividade política, em especial desde a formação, em 1979, da “Moral Majority” (Maioria Moral), que recentemente se desfez.

O fundamentalismo, ao passo que afirma defender a Bíblia, também tem, realmente, minado a autoridade dela. Uma forma em que tem feito isto é pela interpretação literal de textos que, claramente, não deveriam ser considerados de forma literal. Um exemplo disto é a afirmação de que, segundo o relato de Gênesis, a Terra foi criada em 6 dias literais de 24 horas. Obviamente, estes são dias simbólicos, de duração muito mais longa. (Compare com Gênesis 2:3, 4; 2 Pedro 3:8.) Outros modos pelos quais o fundamentalismo mina a Bíblia é por ensinar doutrinas antibíblicas, tais como o tormento eterno no inferno de fogo, e, às vezes, por promover padrões de comportamento diferentes daqueles que a Escritura exige, tal como por proibir o consumo de bebidas alcoólicas, ou o uso de cosméticos por parte das mulheres. Destes modos, o fundamentalismo tem feito com que pessoas rejeitem a mensagem da Bíblia como bitolada, desarrazoada e anticientífica.

Uma Questão do Tempo Certo

Claramente, era necessária uma restauração, a restauração da adoração verdadeira! Mas como diz Eclesiastes 3:1: “Para tudo há um tempo determinado.”

Lá no primeiro século, Jesus reativou a verdadeira adoração em forma do cristianismo. Todavia, ele profetizou que haveria uma apostasia. Disse que os verdadeiros cristãos, como o trigo, e os pseudocristãos, como o joio, ‘ambos cresceriam juntos até a colheita’. Naquele tempo, os anjos ‘reuniriam o joio e o queimariam’, ao passo que os verdadeiros cristãos seriam ajuntados ao favor de Deus. (Mateus 13:24-30, 37-43) Na última metade do século 19, estava às portas o tempo determinado para esta restauração da adoração verdadeira.

Charles Taze Russell nasceu em Pittsburgh, Pensilvânia, EUA, em 1852, e, mesmo quando criança, manifestava grande interesse pela Bíblia. Com seus 20 e poucos anos, ele desviou sua atenção dos negócios da família para devotar todo o seu tempo à pregação. Por volta de 1916, quando morreu, aos 64 anos, ele havia pregado, segundo se informa, mais de 30.000 sermões, e escrito livros que consistiam em mais de 50.000 páginas.

Ao passo que Russell reconhecia o trabalho elogiável que outros tinham feito, na promoção da Bíblia, ele se dava conta de que não bastava simplesmente traduzir, imprimir e distribuir a Bíblia. Assim, em 1879, começou a editar a revista atualmente conhecida como A Sentinela. Seu primeiro número dizia: “Estamos por demais inclinados a perguntar: O que minha igreja diz sobre qualquer questão, em vez de: O que dizem as Escrituras? Estuda-se teologia demais, e não se estuda suficientemente a Bíblia. Com o pensamento, então, de que ‘As Escrituras podem tornar-nos sábios’, que ‘os testemunhos do Senhor são fiéis, tornando sábios os simples’, examinemos as coisas.”

Atualmente, tendo concluído 110 anos de publicação ininterrupta, A Sentinela (agora editada em 106 idiomas, e com uma circulação de mais de 13 milhões de exemplares de cada número) prossegue examinando a Palavra de Deus. Milhões de pessoas têm chegado a apreciar a ajuda que ela lhes provê no estudo, no entendimento e na aplicação do que a Bíblia ensina.

Russell era diferente de muitos de seus contemporâneos que visavam uma reforma, no sentido de que ele não pregava uma via especial de acesso a Deus, não se gabava de ter visões ou revelações divinas, nem descobriu mensagens esotéricas em forma de livros ocultos, ou de outras formas, e jamais afirmou poder curar os fisicamente enfermos. Ademais, ele não asseverou que podia interpretar a Bíblia. Como um instrumento voluntário nas mãos divinas, ele resistiu a todas as tentações de permitir que “sua própria vela” ofuscasse a luz divina.

“É a verdade, em vez de seu servo, que deve ser honrada e proclamada”, escreveu Russell em 1900, acrescentando: “Existe uma disposição excessiva de creditar a verdade ao pregador, esquecendo-se de que toda verdade procede de Deus, que usa um ou outro servo na proclamação dela, conforme lhe apraz.” Este é o motivo principal de os redatores e os tradutores das publicações da Torre de Vigia, bem como os membros da Comissão de Tradução da Bíblia do Novo Mundo, decidirem permanecer anônimos.
Entronizado o Rei de Deus!

No primeiro século, João, o Batizador, anunciou o iminente aparecimento de Jesus como o Rei designado de Deus. No século 19, tinha chegado o tempo de anunciar o iminente aparecimento desse Rei em poder celeste. Assim sendo, em sua edição de março de 1880 (em inglês) a Torre de Vigia de Sião declarou: “‘Os Tempos dos Gentios’ se estendem até 1914, e o reino celeste não exercerá pleno domínio até então.”

Assim, o grupo atualmente conhecido como Testemunhas de Jeová estabeleceu um registro público, há mais de cem anos, de tornar conhecido que o ano de 1914 assinalaria o início do Reino de Deus. A entronização do Rei de Deus foi um passo preliminar para apagar de vez a bruxuleante vela da religião falsa, de modo que não mais pudesse obscurecer a luz divina.

À medida que o século 19 chegava ao fim, a religião da cristandade não dispunha de vestes para identificar-se como serva de Deus. Merecia ser abandonada por Deus. Aproximava-se o seu tempo de julgamento. Informe-se mais sobre isso em nossa próxima edição.


A pedra de Roseta tem ajudado a confirmar a veracidade da Bíblia.


Alguns dos “Tardios” Filhos da Reforma:

  Adventistas do Sétimo Dia: Esta é a maior das cerca de 200 denominações adventistas. Seu nome se baseia na crença na segunda vinda, ou advento, de Cristo. Os adventistas procedem do movimento de William Miller, ministro leigo batista, do início da década de 1840. Ensinando que os Dez Mandamentos ainda vigoram, os Adventistas do Sétimo Dia guardam um sábado literal. Alguns membros atribuem uma inspiração quase que como a da Bíblia aos escritos de Ellen Gould White, um dos líderes mais influentes do grupo, que afirmava que ela foi iluminada por uma série de visões divinas.

  Discípulos de Cristo: Esta igreja foi formada em 1832 por presbiterianos americanos, voltados para a restauração. Seu lema era: “Onde as Escrituras falam, nós falamos; onde as Escrituras silenciam, nós silenciamos.” Uma obra de referências descreve-os como “muitíssimo tolerantes em questões doutrinais e religiosas”. Os membros permitiram que a política os dividisse seriamente durante a Guerra Civil dos EUA. Em 1970, havia 118 denominações, inclusive as Igrejas de Cristo, formadas em 1906.

  Exército da Salvação: William Booth fundou este grupo religioso que é organizado de acordo com padrões militares. Booth ingressou no ministério metodista com seus 20 e poucos anos, e tornou-se um evangelista independente em 1861. Ele e sua esposa criaram uma missão de pregação entre os pobres no bairro East End de Londres. O nome do grupo foi mudado em 1878, passando de Missão Cristã para Exército da Salvação. O Exército da Salvação procura “salvar almas” por oferecer ajuda social aos desabrigados, aos famintos, aos maltratados e aos desprivilegiados.

  Igreja de Cristo, Cientista: Este movimento religioso é comumente conhecido como Ciência Cristã. Foi fundada em 1879 por Mary Baker Eddy, que era bem cônscia da saúde. Sua alegada recuperação instantânea de um grave acidente, em 1866, convenceu-a de que ela havia descoberto os princípios que habilitaram Jesus a curar os doentes e ressuscitar os mortos. Seu livro de 1875, Science and Health With Key to the Scriptures (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras) ensina que o espiritual prevalece sobre o físico, que o pecado, a doença, a morte e outros negativos, são ilusões que podem ser sobrepujadas pelo conhecimento da verdade e pelo pensamento positivo, em harmonia com a Mente, querendo dizer Deus.




 De 1900 em diante — saias salpicadas de sangue

“Não há sólida fundação assentada em sangue.” — Shakespeare, poeta e dramaturgo inglês (1564-1616).

LEMBRA-SE da tragédia de Jonestown, na Guiana, que este mês completará 11 anos? Mais de 900 membros do grupo religioso conhecido como Templo do Povo cometeram suicídio em massa por beberem suco de fruta com cianureto, a maioria deles voluntariamente.

Chocadas, as pessoas perguntavam: ‘Que tipo de religião é esta que sacrifica a vida de seus próprios membros?’ Todavia, muito sangue inocente tem sido derramado em nome da religião, por quase 6.000 anos. No século 20, contudo, tem-se derramado sangue com mais freqüência, e de mais maneiras do que em qualquer outra época da História. Considere apenas um mínimo da evidência disponível.

Sacrifícios Humanos a um Deus Falso

Desde 1914, duas guerras mundiais e mais de cem conflitos menores têm derramado um oceano de sangue. Um século atrás, o escritor francês Guy de Maupassant disse que “o ovo do qual eclode as guerras” é o patriotismo, que ele chamou de “uma espécie de religião”. Com efeito, The Encyclopedia of Religion (Enciclopédia de Religião) afirma que o primo do patriotismo, o nacionalismo, “tem-se tornado uma forma dominante de religião no mundo moderno, preenchendo um vazio deixado pela deterioração dos valores religiosos tradicionais”. Por deixar de promover a adoração verdadeira, a religião falsa criou o vácuo espiritual que o nacionalismo conseguiu preencher.

Em parte alguma isto foi mais bem ilustrado do que na Alemanha nazista, cujos cidadãos, no início da II Guerra Mundial, afirmavam ser 94,4 por cento cristãos. Dentre todos os lugares, a Alemanha — berço do protestantismo e elogiada, em 1914, pelo Papa Pio X como o lar dos “melhores católicos do mundo” — deveria representar o melhor que a cristandade tinha a oferecer.

Significativamente, o católico Adolf Hitler encontrou apoio mais imediato entre os protestantes do que entre os católicos. Distritos predominantemente protestantes lhe deram 20 por cento de seus votos nas eleições de 1930, e os distritos católicos apenas 14 por cento. E a primeira maioria absoluta conseguida pelo Partido Nazista nas eleições estaduais aconteceu em 1932, em Oldemburgo, um distrito em que 75 por cento eram protestantes.

Pelo visto, o “vazio deixado pela deterioração dos valores religiosos tradicionais” era maior no protestantismo do que no catolicismo. E isso é compreensível. A teologia liberalizante e a alta crítica da Bíblia eram notadamente um produto dos teólogos protestantes de língua alemã.

Igualmente significativo é o que, por fim, consolidou o apoio católico a Hitler. Klaus Scholder, historiador alemão, explica que “por tradição, o Catolicismo alemão dispunha de vínculos especialmente íntimos com Roma”. Vendo no nazismo um baluarte contra o comunismo, o Vaticano não se mostrava avesso a utilizar sua influência para fortalecer a mão de Hitler. “As decisões fundamentais passaram cada vez mais para a Cúria”, afirma Scholder, “e, com efeito, o status e o futuro do catolicismo no Terceiro Reich foram finalmente decididos quase que inteiramente em Roma”.

A parte que a cristandade desempenhou em ambas as guerras mundiais levou a uma grave perda de prestígio. Como explica o Concise Dictionary of the Christian World Mission (Dicionário Conciso da Missão Cristã Mundial): “Os não-cristãos tinham diante dos olhos. . . o fato evidente de que nações com a bagagem de mil anos de ensino cristão haviam fracassado em controlar suas paixões e tinham incendiado o mundo todo, para a satisfação de ambições nada admiráveis.”

Por certo, as guerras motivadas pela religião não são nada novo. Mas, em contraste com o passado, quando nações de diferentes religiões guerreavam umas contra as outras, o século 20 presenciou cada vez mais nações da mesma religião envolvidas em amargo conflito. É evidente que o deus do nacionalismo tem conseguido manipular os deuses da religião. Assim, durante a II Guerra Mundial, ao passo que os católicos e os protestantes na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos matavam católicos e protestantes na Itália e na Alemanha, os budistas no Japão faziam a mesma coisa com seus irmãos budistas no sudeste da Ásia.
Todavia, em vista de sua própria roupa manchada de sangue, a cristandade não pode, em autojustiça, apontar o dedo para os outros. Ao advogar, apoiar e, por vezes, eleger governos humanos imperfeitos, tanto os professos cristãos como os não-cristãos precisam igualmente partilhar a responsabilidade pelo sangue que tais governos têm derramado.

Mas que tipo de religião colocaria o governo acima de Deus e ofereceria seus próprios membros como sacrifícios políticos no altar do deus da guerra?

“Derramavam Sangue Inocente”

Tais palavras, proferidas séculos atrás a respeito do Israel apóstata, aplicam-se a todas as religiões falsas, e às da cristandade em especial. (Salmo 106:38) Não se esqueça dos milhões de vidas sufocadas no Holocausto, tragédia em que as igrejas da cristandade não eram inculpes. — Veja Despertai! de 8 de abril de 1989.

Os clérigos alemães também permaneceram calados quanto a outra questão, menos conhecida, porém igualmente trágica. Em 1927, dois anos depois de Hitler ter esboçado suas idéias sobre raça em Mein Kampf (Minha Luta), o editor e teólogo católico Joseph Mayer publicou um livro que trazia o imprimátur episcopal, dizendo: “Os doentes mentais, os lunáticos morais, e outras pessoas inferiores não têm direito algum de procriar, assim como não têm de atear incêndios.” O pastor luterano Friedrich von Bodelschwingh achava que a esterilização dos deficientes físicos era compatível com a vontade de Jesus.

Esta atitude, que contava com o apoio da religião, ajudou a pavimentar o caminho para o “decreto de eutanásia” de 1939, de Hitler, que levou à morte de mais de 100.000 cidadãos mentalmente perturbados, e à esterilização forçada de calculadamente 400.000 pessoas.

Não foi senão em 1985, 40 anos após o fim da guerra, que autoridades da Igreja Luterana na Renânia admitiram publicamente: “Nossa igreja não se opôs com suficiente vigor à esterilização forçada, ao assassínio dos doentes e dos deficientes, e à realização de experiências médicas cruéis em humanos. Suplicamos o perdão das vítimas ainda vivas e de seus parentes sobreviventes.”

É verdade que a campanha de eutanásia do Governo diminuiu consideravelmente de ritmo depois que o bispo católico de Münster lançou um ataque de fraseado bem aguçado em 3 de agosto de 1941, chamando tal política de assassínio. Mas por que demorou 19 meses e 60.000 mortos antes de se ouvir uma condenação?

Culpa de Sangue da Religião

A maioria das religiões afirma respeitar a vida e interessar-se na proteção das pessoas. Mas, será que os clérigos mostram coerência em avisar seus rebanhos contra os perigos físicos do fumo; do consumo de tóxicos, inclusive do álcool; da ingestão de sangue no corpo, e da promiscuidade sexual? Mais importante ainda, será que condenam tais obras da carne como as condena a Bíblia, explicando que elas podem privar-nos de ter a aprovação de Deus? — Atos 15:28, 29; Gálatas 5:19-21.

Naturalmente, alguns avisam. E a Igreja Católica, bem como muitas igrejas fundamentalistas, demonstram respeito pela vida a ponto de denunciarem o aborto como derramamento de sangue inocente. Todavia, a lei do aborto da Itália católica é uma das mais liberais da Europa.

O budismo também condena os abortos. Mas, no Japão, num único ano, relatou-se que foram feitos 618.000, embora 70 por cento da população adira ao budismo. Isto suscita a pergunta: Em que base deveríamos julgar uma religião, pelo que seus órgãos oficiais e alguns de seus clérigos dizem, ou pelo que faz um grande número de seus membros que gozam de boa posição?

Outro exemplo de deixar de avisar o iníquo tem que ver com a cronologia bíblica e o cumprimento das profecias da Bíblia. Ambos indicam que, em 1914, o Reino celeste de Deus foi estabelecido às mãos de Jesus Cristo. Embora a cristandade celebre o suposto nascimento de Cristo todo dezembro, os clérigos não o proclamam como Rei reinante, assim como os líderes do judaísmo não o aceitaram como Rei-Designado dezenove séculos atrás.

Os clérigos, de qualquer denominação, que deixam de avisar sobre as conseqüências de se desobedecer às leis de Deus quanto à moral, e de se recusar a submeter-se ao Reino de Deus, que já domina, estão, de acordo com Ezequiel 33:8, acumulando a culpa de sangue sobre eles mesmos. Seu silêncio equivale a nada menos do que a cruzar os braços, enquanto milhões de seus rebanhos se tornam culpados de sangue.
Assim, por borrifar as saias com sangue inocente, a religião falsa tem negado o vitalizador sangue derramado de Cristo Jesus. (Veja Mateus 20:28 e Efésios 1:7.) Por esse motivo, o sangue salpicado nas saias da religião falsa dentro em breve — muito em breve — será o dela mesma! — Revelação 18:8.
“A Religião Falsa — Apanhada Pelo Seu Passado!”, não encontrará via de escape. Permita que nossa próxima edição lhe explique isso.


Isto nos faz lembrar um tanto as calculadamente 300.000 a 3.000.000 de “feiticeiras” que, a partir do século 15, foram assassinadas com a bênção papal.

Veja Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, capítulos 16-18, editado em 1982 pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.

A culpa de sangue da religião falsa no passado, conforme representada nesta xilogravura do século 15, que retrata a queima em massa de hereges na fogueira, é mais do que sobrepujada por seu histórico do século 20.


Sinos de igrejas alemãs foram fundidos para fins bélicos na I Guerra Mundial.


“A religião se tornou, em muitas partes do mundo atual, a serva da revolução. . . Ela continua a inspirar a matança na Irlanda do Norte, tanto quanto no subcontinente da Índia e nas Filipinas.” — The Encyclopedia of Religion.


O Futuro da Religião, Tendo em Vista Seu Passado

Parte 24: Agora e para sempre — as belezas eternas da religião verdadeira

“A religião, se de verdades celestes adornada, basta ser vista para ser admirada.” — William Cowper, poeta inglês do século 18.

NÃO existe nada que possa ser admirado na religião falsa. Ela trouxe à humanidade 60 séculos de miséria e de sofrimento. Seus modos de agir mentirosos, enganadores, traiçoeiros e odiosos a tornaram feia, tanto à vista de Deus como do homem. Longe de ser adornada de verdades celestes, a religião falsa é a antítese da verdade e da beleza.

Dentro em breve, as forças executoras de Deus lançarão, sem nenhuma cerimônia, a religião falsa na cova da extinção eterna. Pouco depois disso, o resto do sistema de Satanás a seguirá. Mas a religião verdadeira, bem como aqueles que a praticam, continuarão a existir. Que alegria, então, será ver suas eternas belezas serem exibidas a um grau que, atualmente, mal podemos imaginar!

Que Belezas?

São muitas as belezas da religião verdadeira. Eis aqui algumas delas. Por que não toma o tempo para examinar os textos bíblicos citados, que provam que tais belezas eternas têm base na Bíblia?
Entre as muitas belezas eternas da religião verdadeira acham-se:

▪ Ela se baseia na verdade de um Deus infalível, cujo nome é Jeová, em quem podemos incondicionalmente confiar. — Salmo 83:18; Isaías 55:10, 11.

▪ Está disponível a todos os de coração humilde, e não é reservada apenas para os que tenham inteligência superior. — Mateus 11:25; 1 Coríntios 1:26-28.

▪ Ela não faz distinção de raça, de condição social e de posição econômica. — Atos 10:34, 35; 17:24-27.

▪ Ela oferece uma bem-fundada esperança de vida num mundo de paz e segurança, sem tristeza, doença, miséria e morte. — Isaías 32:18; Revelação 21:3, 4.

▪ Ela fornece um arcabouço em que os seus membros podem viver como uma leal fraternidade mundial, unidos em doutrina, conduta e espírito. — Salmo 133:1; João 13:35.

▪ Ela oferece a todos — homem, mulher e criança — uma oportunidade de participar ativamente na obra de Deus, dando objetivo à vida. — 1 Coríntios 15:58; Hebreus 13:15, 16.

▪ Ela nos avisa sobre os perigos ocultos, instruindo-nos a portar-nos dum modo a sermos beneficiados. — Provérbios 4:10-13; Isaías 48:17, 18.

E por que se pode dizer que tais belezas são eternas? Simplesmente porque elas durarão tanto quanto a própria religião verdadeira — para sempre.

Preencher as Lacunas

Pode-se dizer que a morte é um dos maiores inimigos da verdade, visto que as pessoas amiúde levam para o túmulo informações que outros humanos não dispõem. Os pormenores exatos até mesmo de eventos comparativamente recentes — para exemplificar, o assassinato, em 1963, do presidente J. F. Kennedy, dos EUA — ainda são uma questão controversial. Quais são os fatos? Quem realmente sabe? Muitos que poderiam saber não vivem mais. E, se isto se dá com um acontecimento de apenas 26 anos atrás, que dizer dos eventos que ocorreram há centenas ou até mesmo milhares de anos?

Adicionalmente, os historiadores são apenas humanos, limitados em conhecimento e trabalhando sob os empecilhos das imperfeições pessoais e de possíveis preconceitos. É por isso que a pessoa objetiva fará bem em evitar ser dogmática sobre coisas a respeito das quais ela não dispõe dum registro de peso, divinamente inspirado.

Escrever sobre a história religiosa apresenta similares problemas, uma vez que as autoridades não raro discordam quanto aos fatos. A Despertai!, na série “O Futuro da Religião, Tendo em Vista Seu Passado”, tentou apresentar fatos bem-documentados, mas é preciso admitir que, na atualidade, existem certas coisas que simplesmente não sabemos. Por exemplo, até que ponto os professos grupos cristãos que existiam durante e depois da Era do Obscurantismo realmente se apegavam ao verdadeiro cristianismo?

A respeito destes grupos, o professor de história eclesiástica, A. M. Renwick, comenta: “É preciso fazer ainda muitas pesquisas históricas a fim de se chegar à verdadeira história e à posição teológica desses numerosos grupos.” De acordo com Renwick, “no passado, os historiadores dependeram demasiado de declarações dos inimigos dos grupos dissidentes para sua avaliação da doutrina e da moral destes”. Naturalmente, depender demais de declarações de seus amigos também poderia resultar num conceito distorcido. Assim, mesmo depois de muitas pesquisas históricas, muitas perguntas ainda continuariam possivelmente sem resposta.

Que dizer da Bíblia? Como livro divinamente inspirado, que incorpora um pouco de história religiosa, ela é confiável em tudo que diz. Mas, ela diz muito pouco sobre todas as diferentes formas de religião falsa que já existiram. Isso é compreensível, uma vez que foi fornecida para servir de compêndio da religião verdadeira, e não da falsa.

Mesmo no que tange à religião verdadeira, a Bíblia não nos diz tudo. Ela nos fornece suficientes informações para identificar com êxito a religião verdadeira, porém, às vezes, omite pormenores. Ao passo que conhecer tais pormenores poderia ser algo fascinante e interessante, no presente, eles não são vitais.
Daí, também, a Bíblia tem lacunas de tempo. Por exemplo, ela silencia quanto ao que aconteceu durante os mais de 400 anos que decorreram entre o término das Escrituras Hebraicas, comumente chamadas de Antigo Testamento, e o aparecimento de Jesus. E, desde que a Bíblia foi completada, já se passaram quase 1.900 anos.

Assim, na maior parte dos 18 séculos, não dispomos de nenhum registro inspirado sobre o cristianismo. É isto que provoca a incerteza sobre alguns cristãos professos, conforme mencionado pelo autor Renwick. No entanto, é evidente que, pelo menos, alguns indivíduos no decorrer dos séculos aderiam ao cristianismo primitivo. Existem, contudo, questões não-solucionadas que têm que ver com os motivos, e, possivelmente, com a sinceridade de certos indivíduos do passado. Que dizer de alguns dos líderes da Reforma? Aliás, que dizer de homens como Confúcio e Maomé? Embora os atuais sistemas religiosos possam ser julgados com exatidão à base de seus frutos, os indivíduos — especialmente se já morreram há muito — com freqüência não podem.

Se, contudo, no novo mundo de Deus, for a vontade do Criador que sejam reescritos os livros de História — inclusive os de história religiosa — isso se tornará possível. Isto acontece por causa de outra beleza da religião verdadeira — a certeza de que os mortos serão ressuscitados. — João 5:28, 29; Atos 24:15.

Imagine só a alegria de obtermos respostas exatas às nossas perguntas por conversarmos com humanos ressuscitados que realmente fizeram as coisas sobre as quais lemos nos livros de História. Imagine só poder preencher os pormenores que faltam, tais como o nome do Faraó que morreu no mar Vermelho e que sofreu as pragas do Egito.

Se tal registro for escrito, algum dia, será escrito para glorificar e vindicar eternamente o fundador da religião verdadeira, Jeová Deus. Disto não pode existir nenhuma dúvida. A questão que deveras permanece, contudo, é a seguinte: Estará o leitor lá, para lê-lo?

Não Basta Sentir Admiração

Nem sempre as belezas eternas da religião verdadeira são vistas tão facilmente como as palavras de Cowper, citadas no início deste artigo, pareceriam indicar. Por conseguinte, o primeiro número da Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia de Sião e o Arauto da Presença de Cristo) teceu a seguinte observação, há 110 anos: “A verdade, como uma florzinha modesta no deserto da vida, acha-se cercada e quase que sufocada pelo crescimento luxuriante das ervas daninhas do erro. Se almeja encontrá-la, precisa estar sempre à espreita. Se almeja admirar sua beleza, tem de pôr de lado as ervas daninhas do erro e as sarças do preconceito. Se almeja possuí-la, tem de abaixar-se para consegui-la.”

Espera-se que “O Futuro da Religião, Tendo em Vista Seu Passado” tenha ajudado nossos leitores a “pôr de lado as ervas daninhas do erro e as sarças do preconceito”, de modo a apreciar mais plenamente as belezas eternas da religião verdadeira.

Mas o apreço não basta. Apropriado é o provérbio chinês: “O ensino que entra pelos ouvidos mas não penetra no coração é como um jantar saboreado num sonho.” Se havemos de beneficiar-nos pessoalmente das belezas eternas da religião verdadeira — e não apenas sonhar com elas — é vital que aquilo que aprendemos atinja o nosso coração, e não só os nossos ouvidos.

Leia cuidadosamente o quadro intitulado “Identifique Sua Religião Como Verdadeira ou Falsa”. Daí, pergunte a si mesmo: ‘Concordo agora que, no que diz respeito ao império mundial da religião falsa, Voltaire estava certo quando chamou a religião de “a inimiga da humanidade”? Será que este relance na história religiosa me ajudou a identificar a religião verdadeira, e sei eu, neste estágio final dos assuntos humanos, onde ela pode ser encontrada? Se assim for, desejo eu ser como a pessoa descrita por Joseph Joubert, ensaísta francês do século 18, que “deriva dela a sua alegria e o seu dever”?’

Que todos aqueles que respondem sim às perguntas acima continuem a beneficiar-se da leitura de Despertai! e das publicações associadas. Gostaríamos de convidá-lo a seguir o sábio conselho oferecido pela supracitada Torre Vigia de Sião: “Não fique contente com apenas uma única flor da verdade. Se uma só tivesse sido suficiente, não haveria mais. Junte-as sempre, procure outras mais.”

Sim, continue a ajuntar, continue a buscar — busque outras belezas eternas da religião verdadeira!

Identifique Sua Religião Como Verdadeira ou Falsa

▪ A religião verdadeira inspira em seus adoradores um vínculo inquebrantável de amor e de união que não é influenciado por fronteiras nacionais. (João 13:35) A religião falsa não inspira tal amor. Antes, em imitação de Caim, os membros dela se matam uns aos outros em guerras internacionais. — 1 João 3:10-12.

▪ A religião verdadeira se mantém isenta da política humana e se volta para o Criador em busca da solução dos problemas mundiais, por meio do governo do Reino. A religião falsa segue o exemplo de Ninrode na Torre de Babel. Ela se mete na política, confia nos deuses políticos em cujos assuntos ela se imiscui, e, assim, lança a base para a sua própria destruição. — Daniel 2:44; João 18:36; Tiago 1:27.

▪ A religião verdadeira reconhece a Jeová como o Deus verdadeiro, o único capaz de livrar da opressão. A religião falsa, tal como a praticada no Egito e na Grécia antigos, oferece uma multiplicidade de deuses míticos desvalidos, que não possuem mérito algum. — Isaías 42:5; 1 Coríntios 8:5, 6.

▪ A religião verdadeira promete a vida eterna em felicidade na Terra. A religião falsa — por exemplo, o budismo — encara a vida na Terra como indesejável e como algo do qual é preciso libertar-se num incerto outro mundo. — Salmo 37:29; Revelação 21:3, 4.

▪ A religião verdadeira, por meio de seu livro sagrado, a Bíblia, imbui nas pessoas uma fé inabalável; dá-lhes uma esperança garantida e motiva-as a atos de genuíno amor para com Deus e o próximo. (2 Timóteo 3:16, 17) A religião falsa, apesar de seus livros sagrados, é na maior parte ineficaz em fazer tais coisas. — 1 João 5:3, 4.

▪ A religião verdadeira é assinalada por superintendentes humildes. A religião falsa é famosa por seus líderes ambiciosos, de pensamentos independentes, que se dispõem a torcer a verdade e que buscam ganhos políticos ou mundanos. — Atos 20:28, 29; 1 Pedro 5:2, 3.

▪ A religião verdadeira, a via da submissão apropriada a Deus, brande uma espada espiritual, e não uma literal. A religião falsa, por outro lado, transige quanto à doutrina verdadeira, viola a neutralidade cristã, e busca os interesses humanos mais do que os interesses divinos. — 2 Coríntios 10:3-5.

▪ A religião verdadeira conquista os corações dos descrentes para a adoração do verdadeiro Deus. A religião falsa contribui para um clima de ceticismo, de livre-pensamento, de racionalismo e de secularismo. — Lucas 1:17; 1 Coríntios 14:24, 25.

▪ A religião verdadeira, segundo praticada pelas Testemunhas de Jeová, está florescendo espiritualmente como nunca. A religião falsa, com suas saias salpicadas de sangue, sofre de desnutrição espiritual e de declinante apoio. — Isaías 65:13-14.

  Qual é o futuro da religião, tendo em vista seu passado? A religião falsa não tem futuro. Abandone-a! (Revelação 18:4, 5) Volte-se para a religião verdadeira. Ela permanecerá para sempre.

segunda-feira, 5 de março de 2012

O nome divino nas Escrituras Hebraicas Hebr.: יהוה (YHWH)


“Jeová” (hebr.: יהוה, YHWH), o nome pessoal de Deus, ocorre pela primeira vez em Gên 2:4. O nome divino é um verbo, é a forma causativa, no imperfeito, do verbo hebraico הוה (ha‧wáh, “vir a ser; tornar-se”). Portanto, o nome divino significa “Ele Causa que Venha a Ser”. Isto revela que Jeová é Aquele que, com ação progressiva, faz com que ele venha a ser o Cumpridor de promessas, Aquele que sempre leva seus propósitos à realização. Veja Gên 2:4 n.: “Jeová”; Ap. 3C. Compare isso com Êx 3:14 n.
A maior indignidade que modernos tradutores causam ao Autor divino das Escrituras Sagradas é a eliminação ou o ocultamento deste seu peculiar nome pessoal. Na realidade, seu nome ocorre no texto hebraico 6.828 vezes como יהוה (YHWH ou JHVH [IHVH]), geralmente chamado de Tetragrama (que significa literalmente “de quatro letras”). Por usarmos o nome “Jeová”, apegamo-nos de perto aos textos da língua original e não seguimos a prática de substituir o nome divino, o Tetragrama, por títulos tais como “Senhor”, “o Senhor”, “Adonai” ou “Deus”.
Hoje em dia, à parte de alguns poucos fragmentos da primitiva Septuaginta ou Versão dos Setenta grega, na qual se preserva o nome sagrado em hebraico, somente o texto hebraico reteve este nome de máxima importância na sua forma original de quatro letras, יהוה (YHWH), cuja pronúncia exata não foi preservada. Os textos atualmente em circulação da Septuaginta grega (LXX), da Pesito siríaca (Sy) e da Vulgata latina (Vg) substituem o nome ímpar de Deus pelo mero título de “Senhor”. — Veja Ap. 1C.
O texto do Códice de Leningrado B 19A, que se encontra na URSS, usado para a Biblia Hebraica Stuttgartensia (BHS), apresenta os sinais vocálicos do Tetragrama para rezar Yehwáh, Yehwíh e várias vezes Yehowáh, como em Gên 3:14. A edição do texto hebraico feita por Ginsburg (Gins.) apresenta os sinais vocálicos em YHWH para rezar Yehowáh. Ao passo que muitos tradutores favorecem a pronúncia “Yahweh” ou “Javé”, a Tradução do Novo Mundo continua a usar a forma “Jeová”, por causa da familiaridade das pessoas com ela já por séculos. — Veja ad sob “Jeová”.
O costume de substituir o nome divino por títulos, que surgiu entre os judeus, foi aplicado a cópias posteriores da Septuaginta grega, à Vulgata latina e a muitas outras traduções, antigas e modernas. Por isso declara A Greek-English Lexicon, de Liddell e Scott (LSJ), p. 1013: “‛ο Κύριος,=hebr.: Yahweh, LXX Ge. 11.5, al.” Também, o Greek Lexicon of the Roman and Byzantine Periods, de E. A. Sophocles, Cambridge, EUA, e Leipzig, 1914, p. 699, diz sob κύριος (Ký‧ri‧os): “Senhor, representativo de יהוה. Sept. passim [espalhado por toda ela].” Além disso, o Dictionnaire de la Bible, de F. Vigouroux, Paris, 1926, col. 223, diz que “a Septuaginta e a Vulgata contêm Κύριος e Dominus, ‘Senhor’, onde o original contém Jeová”. Sobre o nome divino, A Compendious Syriac Dictionary, editado por J. Payne Smith, Oxford, reimpressão de 1979, p. 298, diz que Mar‧ya’, “na versão Pesito [siríaca] do A. T., representa o Tetragrama”.
William Tyndale traduziu os primeiros cinco livros da Bíblia em 1530, nos quais o nome Jeová apareceu pela primeira vez em inglês. Ele escreveu “Iehouah” (em Gên 15:2; Êx 6:3; 15:3; 17:16; 23:17; 33:19; 34:23) e “Iehoua” (em De 3:24). Tyndale escreveu numa nota desta edição: “Iehovah é o nome de Deus . . . Ademais, cada vez que encontrardes SENHOR com letras maiúsculas (a menos que haja algum erro na impressão) é em hebraico Iehovah.” Disso surgiu entre tradutores a prática de usar o nome de Jeová apenas em uns poucos lugares, mas escrever “SENHOR” ou “DEUS” na maioria dos lugares onde em hebraico ocorre o Tetragrama. Esta prática foi adotada pelos tradutores da Versão Rei Jaime (em inglês) em 1611, na qual o nome Jeová ocorre apenas quatro vezes, a saber, em Êx 6:3; Sal 83:18; Is 12:2; 26:4.
Além disso, Theological Wordbook of the Old Testament, Vol. 1, Chicago (1980), p. 13, diz: “Para evitar o risco de tomar o nome de Deus (YHWH) em vão, judeus devotos começaram a substituir o nome próprio pela palavra ’ădōnā(y). Embora os massoretas deixassem as quatro consoantes originais no texto, acrescentaram as vogais ē (em lugar de ă, por outros motivos) e ā para lembrar ao leitor de pronunciar ’ădōnā(y), sem consideração das consoantes. Esta particularidade ocorre mais de seis mil vezes na Bíblia hebraica. A maioria das traduções usam letras maiúsculas para constituir o título ‘SENHOR’. Exceções a isso são a ASV [American Standard Version (Versão Normal Americana)] e a Tradução do Novo Mundo, que usam ‘Jeová’, a [Bíblia] Amplified, que usa ‘Senhor’, e a BJ [A Bíblia de Jerusalém], que usa ‘Iahweh’. . . . Nos lugares onde ocorre ’ădōnā(y) yhwh, esta última palavra está marcada com os sinais das vogais de ’ēlōhim, e surgiram versões inglesas tais como ‘Senhor DEUS’ (ex. Amós 7:1).”
O NOME DIVINO NAS ESCRITURAS HEBRAICAS (NM)
A própria freqüência do aparecimento do nome atesta a sua importância para o autor da Bíblia, a quem pertence este nome. O Tetragrama ocorre 6.828 vezes no texto hebraico (BHK e BHS). Isto está confirmado pelo Theologisches Handwörterbuch zum Alten Testament, Vol. I, editado por E. Jenni e C. Westermann, 3.a ed., Munique e Zurique, 1978, col. 703, 704. A Tradução do Novo Mundo verte o Tetragrama por “Jeová” em todas as ocorrências, exceto em Jz 19:18, cuja n. veja.
Baseados nos textos da LXX, restabelecemos o Tetragrama em três lugares e o vertemos por “Jeová”, a saber, em De 30:16; 2Sa 15:20 e 2Cr 3:1, onde as notas na BHK dão יהוה.
Segundo as notas da BHK e da BHS, em Is 34:16 e Za 6:8 deve-se ler o nome divino em vez do pronome possessivo da primeira pessoa singular “minha” ou “meu”. Restabelecemos o nome divino nestes dois lugares e o vertemos por “Jeová”.
Para uma explicação dos 141 restabelecimentos adicionais do nome divino veja o Ap. 1B.
O nome “Jeová” ocorre 6.973 vezes no texto das Escrituras Hebraicas da Tradução do Novo Mundo, inclusive em três nomes compostos (Gên 22:14; Êx 17:15; Jz 6:24) e em seis ocorrências nos cabeçalhos dos Salmos (7 ; 18  [3 vezes]; 36 ; 102 ). Estas nove ocorrências estão incluídas nas 6.828 vezes na BHK e na BHS.
“Jeová” nas E.H. da NM
      6.827      YHWH vertido por “Jeová”
        146      Restabelecimentos adicionais
Total 6.973      “Jeová” em Gên-Mal
A FORMA ABREVIADA DO NOME DIVINO
A forma abreviada do nome divino ocorre 50 vezes no texto massorético como Yah, vertido por “Jah”. Segue-se a lista destas ocorrências: Êx 15:2;  17:16; Sal 68:4, 18;  77:11;  89:8;  94:7, 12;  102:18;  104:35;  105:45;  106:1, 48;  111:1;  112:1;  113:1, 9;  115:17, 18;  116:19;  117:2;  118:5, 14, 17, 18, 19;  122:4;  130:3;  135:1, 3, 4, 21;  146:1, 10;  147:1, 20;  148:1, 14;  149:1, 9;  150:1, 6; Cân 8:6; Is 12:2;  26:4;  38:11.

Bíblia com Referências aumenta a excelência da Tradução do Novo Mundo por revelar suas muitas traduções exatas das verdades espirituais.


A Bíblia com Referências diz na sua introdução (página 7, coluna 1, parágrafo 3): “Teve-se cuidado especial na tradução dos verbos hebraicos e gregos, com o objetivo de captar a simplicidade, o calor, o caráter e o vigor das expressões originais. Houve esforço de preservar o sabor da antiguidade hebraica e grega, do modo de pensar das pessoas, da sua maneira de raciocinar e falar, do seu relacionamento social, etc.” Vejamos em que resultou isso.

Verbos de Ação Contínua

Os escritores das Escrituras Gregas Cristãs eram cuidadosos e precisos na sua escolha de palavras. Isto é demonstrado no relato sobre o Sermão do Monte de Jesus. No original usa-se várias vezes uma forma do verbo que indica ação contínua, e isto é fielmente representado nessa tradução. Assim, em Mateus 6:33, a Tradução do Novo Mundo verte as palavras iniciais do seguinte modo: “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino.” A nota ao pé da página, sobre este versículo, sugere uma versão alternativa: “Ou: ‘Estai buscando.’ . . . A forma do verbo indica uma ação contínua.”

A maioria das traduções da Bíblia desconsidera o aspecto contínuo deste verbo. Por exemplo, a versão Almeida ([Al] revista e corrigida) reza: “Buscai primeiro o reino.” Entretanto, tal maneira de traduzir deixa de captar a precisão do conselho de Jesus. Ele não deu a entender que devêssemos buscar o Reino uma vez ou duas, e depois passar para outras coisas. Antes, devemos buscá-lo continuamente. Deve sempre ocupar o primeiro lugar na nossa vida.

Em Mateus 7:7, Jesus usou esta forma contínua três vezes em um só versículo, com sentido enfático: “Persisti em pedir, e dar-se-vos-á; persisti em buscar, e achareis; persisti em bater, e abrir-se-vos-á.” Tais traduções cuidadosas da Bíblia provêem jóias da verdade, que brilham de tão coerentes.

Uso Perito dos Negativos

Os escritores da Bíblia eram peritos no uso de negativos. Note a maneira cuidadosa de a Tradução do Novo Mundo verter o conselho adicional de Jesus no Sermão do Monte. Em Mateus 6:16, está registrado que ele disse: “Quando jejuardes, parai de ficar com o rosto triste, como os hipócritas.” A maioria das traduções verte esta expressão pelo simples negativo: “Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas.” (Al) Esta versão dá a entender ‘não comeceis a parecer tristes’. No entanto, o escritor bíblico usou aqui um imperativo negativo no tempo presente (contínuo). Em grego, isto tem um significado específico. A ação está atualmente em progresso e tem de parar. A Tradução do Novo Mundo observa este meticuloso ponto que na maioria das outras traduções é desconsiderado. Note alguns exemplos adicionais de tal tradução cuidadosa: “Parai de armazenar para vós tesouros.” (Mateus 6:19) “Parai de julgar, para que não sejais julgados.” — Mateus 7:1.

Na consideração do assunto dos negativos, note o uso de imperativos negativos quando os escritores bíblicos usaram o tempo do aoristo. Em grego, este tempo indica que as ações são proibidas em qualquer dado momento ou tempo. De modo que Jesus disse aos seus ouvintes: “Portanto, nunca estejais ansiosos [quer dizer, não estejais ansiosos em nenhum momento] quanto ao dia seguinte.” (Mateus 6:34) Aqui, novamente, a maioria das traduções usa alguma forma de simples negativo, tal como: “Não vos preocupeis.” (Matos Soares) Entretanto, tal tradução perde o pleno impacto do original. A linguagem enfática da Bíblia é similarmente preservada para nós na frase: “Nunca estejais ansiosos, dizendo: ‘Que havemos de comer?’” (Mateus 6:31) Estas são umas poucas jóias de tradução cuidadosa.

Participe na Atividade Cristã

Freqüentemente, as traduções alternativas dos verbos, encontradas nas notas da Bíblia com Referências revelam novos ângulos do sentido do versículo bíblico. Tome, por exemplo, o conselho de Paulo aos filipenses, encontrado em Filipenses 1:27: “Somente comportai-vos da maneira digna das boas novas acerca do Cristo.” Isto é similar à versão encontrada em outras traduções. Por exemplo, a versão do Pontifício Instituto Bíblico de Roma reza: “Somente, comportai-vos de maneira digna do Evangelho de Cristo.” E O Novo Testamento, Interconfessional, diz: “Procurem, sim, comportar-se de maneira digna da Boa Nova de Cristo.” Na Bíblia com Referências, porém, há uma nota referente à palavra “comportai-vos”, que nos dá um entendimento mais profundo do sentido daquele conselho dado aos filipenses. A nota apresenta uma versão alternativa da palavra “comportai-vos”: “Ou ‘procedei como cidadãos’.”

A palavra grega, aqui traduzida por “comportai-vos”, deriva duma palavra que significa “cidadão”. Os filipenses deviam participar como “cidadãos” na proclamação das boas novas. Deve ser lembrado que os cidadãos romanos, em geral, tomavam parte ativa nos assuntos de Estado, e a cidadania romana era muito prezada — especialmente, como no caso de Filipos, pelas cidades fora da Itália, cujos habitantes obtiveram de Roma a concessão da cidadania. Assim, conforme a nota na Bíblia com Referências nos ajuda a entender, Paulo disse ali aos cristãos que eles não deviam ser inativos, ou ser cristãos apenas nominais. Eles também tinham de participar na atividade cristã, mostrando-se assim dignos das boas novas. Este entendimento mais profundo está em harmonia com as palavras posteriores de Paulo aos filipenses: “Quanto a nós, a nossa cidadania existe nos céus.” — Filipenses 3:20.

Abraão “Tentou Oferecer” Isaque

Conforme já observado, é possível ter um entendimento mais claro quando os verbos gregos são traduzidos com cuidado para o português. Considere o importante texto de Hebreus 11:17. A versão Almeida (rev. e corr.) traduz este versículo como segue: “Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando provado, sim . . . ofereceu o seu unigênito.” À base desta tradução, pode-se pensar que o verbo “ofereceu” aparece em grego do mesmo modo nos dois casos.

Entretanto, a forma do verbo grego difere nas duas ocorrências. No primeiro caso, o verbo “ofereceu” está no tempo perfeito (completo), ao passo que o segundo “ofereceu” está no imperfeito (pretérito contínuo). Esses tempos dos verbos têm sentidos sutis no grego, e a Tradução do Novo Mundo procura destacá-los pela sua tradução do texto: “Abraão, quando provado, a bem dizer ofereceu Isaque, e o homem . . . tentou oferecer seu unigênito.” Há uma nota referente a primeira ocorrência do verbo, que apresenta uma tradução alternativa: “Ou ‘Abraão, ao ser testado, (como que) ofereceu’.” E a nota sobre o segundo verbo sugere uma segunda maneira em que se poderia expressar este verbo no imperfeito: “Ou ‘passou a’.” De modo que o versículo poderia rezar: “O homem . . . passou a oferecer.” O verbo grego indica assim que se intencionava ou tentava tal ação, mas que não foi executada inteiramente. Isto está em harmonia com o que realmente aconteceu. — Gênesis 22:9-14.

O “Muro no Meio”

As notas ao pé das páginas, na Bíblia com Referências, fornecem também informações úteis tiradas de outras obras de erudição bíblica. Por exemplo, considere o uso que Paulo fez do termo “muro no meio”, encontrado em Efésios 2:14. A nota na Bíblia com Referências reza: “Esta é uma alusão ao muro (ou à mureta de treliça) na área do templo, que impedia a entrada dos adoradores gentios não santificados nos pátios internos, franqueados somente aos adoradores judaicos santificados. Segundo a Míxena (traduzida ao inglês por Danby, 1950, p. 592), esta mureta chamava-se ‘o Soregue’. Diz-se que este muro tinha a altura de 1,3 m. Veja Ap. 9F.”

Paulo argumentou apropriadamente no contexto de Efésios 2:14 no sentido de que este “muro no meio”, o Soregue no templo de Herodes, dos dias de Jesus, retratava a anterior separação legal entre judeus e gentios, por motivo do pacto da Lei feito por meio de Moisés. Mas agora, este muro que separava, o pacto da Lei, havia sido retirado por causa do sacrifício de Cristo, o qual tem poder santificador para purificar até mesmo gentios. (Colossenses 2:13-15) Desde 36 EC, quando os gentios crentes foram juntados à congregação dos judeus cristãos, esses gentios tornaram-se ungidos e santificados, como parte do espiritual “Israel de Deus”. (Gálatas 6:16) Esses gentios, então purificados, faziam também parte da classe do santuário celestial, retratado por aqueles que andavam nos pátios internos do templo. Os cristãos gentios não tinham mais nenhum impedimento na sua relação com Jeová por alguma restrição ao pátio externo, conhecido como o Pátio dos Gentios.

Proclamação das Boas Novas “de Casa em Casa”

Muitos têm criticado as Testemunhas de Jeová pela sua pregação global e eficiente de casa em casa. No entanto, há um nítido modelo provido pelos apóstolos e pelos primitivos cristãos. Em Atos 5:42, lemos sobre a sua atividade: “Cada dia, no templo e de casa em casa, continuavam sem cessar a ensinar e a declarar as boas novas.”

A nota da Bíblia com Referências tem um comentário sobre a frase “de casa em casa”. Diz o seguinte: “Lit.: ‘segundo [a] casa’. Gr[ego]: kat’ oí‧kon. Aqui, ka‧tá é usado com o acusativo sing[ular] no sentido distributivo. R. C. H. Lenski, na sua obra The Interpretation of The Acts of the Apostles [A Interpretação dos Atos dos Apóstolos], Minneapolis, EUA (1961), fez o seguinte comentário sobre At 5:42: ‘Os apóstolos nem por um instante pararam a sua bendita obra. “Cada dia” eles continuavam, e isto abertamente, “no Templo”, onde o Sinédrio e a polícia do Templo podiam vê-los e ouvi-los, e, naturalmente, também [kat’ oí‧kon], que é distributivo, “de casa em casa”, e não meramente adverbial, “em casa”.’”

Referências Marginais Úteis

Na leitura das Escrituras, muitas vezes se verifica que o escritor bíblico citou uma passagem de outra parte das Escrituras ou alude a outra passagem na Bíblia. Em tais casos, a Bíblia com Referências pode ser muito útil. Seu sistema de referências marginais indica ao estudante outros lugares onde o assunto é mencionado.
Considere o encontro de Jesus com seu Adversário, Satanás, registrado em Mateus 4:3-11. No versículo 4, Jesus replica a primeira tentação de Satanás por dizer: “Está escrito: ‘O homem tem de viver, não somente de pão, mas de cada pronunciação procedente da boca de Jeová.’” A referência indica que Jesus citou ali um texto encontrado nas nossas Bíblias em Deuteronômio 8:3. Satanás apresentou a Jesus uma segunda tentação, tentando apoiá-la por asseverar: “Está escrito: ‘Dará aos seus anjos encargo concernente a ti, e eles te carregarão nas mãos, para que nunca batas com o pé contra uma pedra.’” Onde encontrou Satanás essas palavras? A referência marginal indica ao estudante o Salmo 91:11, 12. Sim, Satanás estava citando as Escrituras, atuando como “anjo de luz”. (2 Coríntios 11:14) Jesus respondeu: “Novamente está escrito: ‘Não deves pôr Jeová, teu Deus, à prova.’” Esta também era a citação dum texto, mas aplicado corretamente. Donde foi citado? A referência marginal remete-nos a Deuteronômio 6:16. Quando tentado pela terceira vez, Jesus novamente citou um texto. Donde? De Deuteronômio 6:13, segundo a referência marginal. Muitos outros serviços úteis similares são prestados pelas 125.000 referências marginais encontradas na Bíblia com Referências.